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Missão cumprida: chega ao fim o edital de fomento a softwares livres culturais

O Laboratório de Tecnologias Livres (LabLivre) da UFABC, do qual sou pesquisador, finaliza nesta quarta-feira (14/8) mais um produto destinado a incentivar o desenvolvimento de softwares livres brasileiros.

Estou falando do Edital 01/2018, um chamamento de projetos visando a aprimorar softwares livres culturais – genericamente falando, aqueles programas de computador utilizados por artistas, gestoras/es, produtoras/es e demais agentes que atuam na concepção, produção, criação, edição, divulgação, distribuição e finalização de produtos culturais.

Durante cinco meses, representantes brasileiros de sete comunidades de softwares livres culturais desenvolveram novas funcionalidades, ou aprimoraram funcionalidades já existentes em softwares mantidos por tais comunidades. Para isso, receberam cerca de R$ 40 mil líquidos, divididos em três parcelas, de modo que a última está sendo repassada nesta quarta-feira (14/8).

Foram contemplados neste projeto membros das comunidades mantenedoras do GIMP (editor de imagem), Jandig (software de realidade aumentada para exposições artísticas), Kernel do Linux (núcleo do sistema Linux), Libreflix (plataforma de streaming), Mapas Culturais (software para mapeamento colaborativo e gestão da cultura) e Noosfero (plataforma de redes sociais). Para participar da seleção, bastava comprovar ser membra/o das respectivas comunidades por, pelo menos, seis meses, e que tais comunidades contassem com representantes brasileiras/os. Mulheres, negras/os e pardas/os, bem como indígenas receberam 0,5 ponto adicional na nota final.

Já a comissão de seleção, que avaliou os 36 projetos recebidos e também validou os relatórios parciais e final apresentados pelos contemplados, contou com a participação das engenheiras da computação e desenvolvedoras Bruna Moreira e Ludimila Bela Cruz; do desenvolvedor André Filipe de Assunção e Brito (o Decko); do arquiteto Yorik van Havre; e com a minha, atuando como seu presidente.

Como as comunidades selecionadas se baseiam maciçamente no trabalho de desenvolvedoras/es voluntárias/os, um apoio financeiro dessa magnitude é crucial tanto para solucionar problemas antigos de softwares que já contam com décadas de existência, como é o caso do GIMP, quanto para alavancar projetos novos e extremamente promissores, tal como o Libreflix.

Além disso, vale ressaltar o modo horizontal e colaborativo como muitas dessas comunidades se organizam, em contraposição aos modelos não raro piramidais e fechados adotados por grandes corporações de tecnologia. Não à toa, Eric Steven Raymond, em um texto clássico, comparou as comunidades de softwares livres com um bazar, ao passo que as empresas que desenvolvem softwares fechados foram associadas por ele a catedrais.

Por fim, fica o aprendizado e o imenso prazer por gerir um projeto desse calibre, que apoia comunidades independentes e ajuda a financiar modelos muito mais justos e solidários de desenvolvimento tecnológico.

As principais informações sobre o edital podem ser acessadas nesta página.

Assunto: Tecnopolítica